Preparar
Antes de gravar ou escrever qualquer coisa. É a fase chata, e é a que decide o resultado das outras doze.
Fechar a oferta no papel
Enquanto isso não estiver escrito, não existe vídeo nem página para fazer — você não sabe ainda o que está vendendo.
- Escreva em uma linha o que a pessoa recebe: quantos módulos, quantas aulas, o que mais vai junto.
- Defina o preço cheio (o que você diria que vale) e o preço de venda. O cheio aparece riscado na página.
- Escolha o parcelamento. Doze vezes é o padrão do mercado porque a parcela é o número que a pessoa compara com o próprio bolso.
- Faça a conta do custo por dia: preço à vista dividido por 365. Se der menos que um café, esse número entra na página.
- Liste de três a cinco bônus, cada um com valor declarado. Deixe um deles sem revelar — o “presente surpresa”.
- Defina a garantia. A lei já obriga sete dias em compra online, então prometer sete não é benefício: use quinze ou trinta.
- Dê um nome à oferta. Coisa sem nome vira “o curso”. Com nome vira método, e método justifica preço.
- Responda por que agora: turma que fecha, condição que muda, vaga limitada de verdade. Sem motivo real, não invente cronômetro falso — vai embora a credibilidade junto.
Antes de baixar o preçoO valor que a pessoa enxerga é o resultado que ela quer, vezes a chance de ela acreditar que vai conseguir, dividido pelo tempo até esse resultado e pelo esforço que vai dar. Quase todo pedido de desconto é, na verdade, um destes quatro fora do lugar: prova fraca, promessa vaga, demora ou trabalho demais. Mexa neles antes de mexer no preço.
Colher a prova
Prova não se escreve, se pede. Este é o passo que mais atrasa projeto, porque depende de outra pessoa responder.
- Separe de seis a dez clientes que tiveram resultado de verdade.
- Mande uma mensagem curta pedindo três coisas: como estava antes, como está agora e um número que mostre a diferença.
- Peça print quando houver: painel, extrato, contador de seguidores, foto. Print original convence mais que texto bonito.
- Peça autorização por escrito para usar nome, imagem e resultado. Uma frase no WhatsApp basta — guarde a conversa.
- Guarde tudo numa pasta só, um arquivo por pessoa.
Perguntar por que não compraram
As objeções reais viram o bloco de perguntas frequentes — que é onde a venda se decide para quem chegou perto e desistiu.
- Liste quem demonstrou interesse e não comprou.
- Pergunte uma coisa só: “o que te fez não seguir?”. Sem defender o produto na resposta.
- Anote as respostas com as palavras da pessoa. A pergunta frequente tem que soar como ela falaria.
- Ordene por repetição. Quase sempre o topo é preço, tempo e “será que funciona no meu caso”.
O vídeo
A carta de vendas em vídeo. Roteiro, gravação, edição e hospedagem — nesta ordem, sem pular o primeiro.
Escrever o roteiro
Ninguém improvisa uma venda de treze minutos. O roteiro é escrito falado: escreva, leia em voz alta e corte tudo que você não diria numa conversa.
| Tempo | Bloco | O que dizer |
|---|---|---|
| 0:00–0:30 | Gancho | Fale direto com quem interessa e prometa o que a pessoa leva do vídeo — não o produto. “Se você posta toda semana e ninguém compra, fica aqui comigo até o fim.” |
| 0:30–2:00 | O problema | Descreva a situação dela melhor do que ela descreveria. Ainda não é hora de solução — é hora de ela pensar “é exatamente isso”. |
| 2:00–3:30 | Por que falhou | Tire a culpa dela e nomeie o culpado: o conselho genérico, o método errado, a fórmula que serve para outro tipo de negócio. |
| 3:30–6:00 | A virada | Sua história: onde você estava, o que tentou, o que descobriu. É este bloco que compra permissão para vender no fim. |
| 6:00–8:00 | O método | As fases com nome próprio — três costuma bastar. Explique o que cada uma resolve sem ensinar a executar. |
| 8:00–9:30 | Prova | Dois ou três casos com número, mostrando o print na tela enquanto você fala. Escolha gente parecida com quem assiste. |
| 9:30–11:00 | A oferta | O que está incluso, os bônus e só então o preço, nesta ordem: cheio, atual, parcelado, por dia. |
| 11:00–12:00 | Garantia | Diga o prazo e diga em voz alta que o risco é seu, não dela. |
| 12:00–13:00 | Chamada | O que fazer agora, em uma frase. Recapitule a escolha e repita onde clicar. |
Gravar
Celular resolve. O que separa amador de profissional aqui é som e luz, não câmera — ninguém sai de um vídeo por causa da imagem, mas sai em segundos por causa do áudio ruim.
- Som: um microfone de lapela com fio, dos baratos, já muda tudo. Grave num cômodo com pano, sofá, cortina — sala vazia ecoa.
- Luz: sente de frente para uma janela, de dia. Nunca de costas para ela. Se for à noite, uma luminária difusa na frente do rosto.
- Enquadramento: celular na horizontal, no tripé, câmera na altura dos olhos. Fundo liso, sem bagunça atrás.
- Teleprompter: use um aplicativo gratuito de teleprompter no próprio celular ou num tablet ao lado da lente. Ajuste a velocidade antes.
- Grave em blocos, um por linha da tabela do roteiro. Errou, refaz só aquele bloco — não o vídeo inteiro.
- Antes de valer, grave trinta segundos de teste e ouça com fone. Silencie as notificações.
Editar
Edição aqui é corte, não efeito. O objetivo é uma coisa só: que a pessoa não tenha motivo para sair.
- Junte os blocos na ordem do roteiro e corte todo silêncio e toda repetição.
- Coloque legenda queimada no vídeo. Boa parte assiste sem som, principalmente no celular.
- Quando falar de um resultado, mostre o print na tela naquele instante.
- Trilha, se usar, bem baixa — a voz manda. Nada de efeito sonoro.
- Exporte em 1080p e assista inteiro no celular antes de subir.
Hospedar o vídeo
Aqui está o passo que quase todo iniciante erra: não suba num canal público de vídeo. Ele mostra vídeos relacionados no fim, deixa a pessoa sair e não te diz onde ela parou de assistir.
- Use um player para páginas de venda — há vários serviços brasileiros e internacionais que fazem isso. Se for usar um canal público, marque o vídeo como não listado e desative os relacionados.
- Configure o player sem barra de progresso na primeira exibição: a pessoa não pula direto para o preço antes de entender o valor.
- Programe o botão de compra para aparecer no minuto da oferta — no roteiro acima, aos 9:30.
- Deixe o início automático ligado com som, e um aviso visível de “toque para ouvir” caso o navegador bloqueie.
- Confira que o player entrega o relatório de retenção: em que segundo as pessoas saem. É o dado que diz qual bloco do roteiro está furado.
Se preferir sem vídeoTudo isto vale igual para a carta em texto: os mesmos nove blocos do roteiro viram os blocos escritos da página, na mesma ordem. Texto é mais barato de testar — trocar uma manchete leva minutos, regravar um vídeo leva um dia.
Página e compra
Onde o vídeo mora, como se compra e como você vai saber que a venda aconteceu.
Montar a página
Uma rolagem só, sem menu, sem link para outro lugar. Cada saída disponível é dinheiro de anúncio indo embora.
- Acima do vídeo: uma manchete curta e nada mais. Sem logo grande, sem menu, sem banner.
- O player, ocupando a largura útil da tela.
- O botão, que aparece no minuto combinado e acompanha a rolagem a partir dali.
- Abaixo, para quem prefere ler: prova, o que está incluso, bônus, preço, garantia e as perguntas frequentes — a mesma ordem do roteiro.
- Repita o botão depois da prova, depois do preço e depois do último bloco.
- Abra no seu celular, em rede lenta. Se demorar para carregar, corte imagem pesada.
Ligar o checkout
É a plataforma que cobra, entrega o acesso e cuida do reembolso. Se o produto for curso ou material digital, as plataformas brasileiras de infoproduto resolvem tudo isso numa conta só.
- Escolha a plataforma. As taxas em 2026 giram em torno de: Eduzz a partir de 4,90% + R$ 1 na venda direta, Kiwify 8,99% + R$ 2,49, Hotmart 9,99% + R$ 1. Confirme antes de decidir — elas mudam.
- Cadastre o produto com o mesmo nome, preço e prazo de garantia da folha do passo 01.
- Ative pix e cartão com o parcelamento que você definiu. Pix costuma responder por boa fatia das vendas.
- Deixe o checkout parecido com a página: mesma cor, mesmo nome de produto. Quebra visual na hora de pagar derruba venda já feita.
- Peça o mínimo de dados. Cada campo a mais cobra seu preço.
- Configure o e-mail de confirmação e a entrega do acesso, automáticos.
- Compre você mesmo, do celular, com cartão de verdade, e depois estorne. É o único teste que vale.
Instalar a medição
Sem isto você vai saber que vendeu, mas não por causa de quê — e aí não dá para aumentar o que funciona nem desligar o que não funciona.
- Crie uma conta no gerenciador de negócios da Meta e, dentro dela, um pixel.
- Cole o código do pixel na página de vendas.
- Na plataforma de checkout, procure a integração com a Meta e informe o número do pixel: ela passa a avisar cada compra.
- Use o testador de eventos da própria Meta e faça uma compra de teste. Confirme que aparece “Compra”.
- Padronize a marcação dos links de anúncio: nome legível mais o identificador em cada nível — campanha, conjunto e anúncio.
Anúncios
Colocar dinheiro na frente e ler o que volta. É aqui que o funil deixa de ser projeto.
Produzir os criativos
Criativo é o vídeo curto do anúncio — não confunda com a carta de vendas. Ele tem uma função só: fazer a pessoa certa clicar. E o gancho, os três primeiros segundos, é a peça de maior alavancagem de todo o dinheiro investido.
Um gancho tem três componentes, não uma frase — e os três não podem dizer a mesma coisa. Se a fala repete o que já está escrito na tela, dois terços do gancho foram desperdiçados.
| Componente | O que é | Função |
|---|---|---|
| Ação na tela | O que está literalmente acontecendo nos segundos 0–3 | Fazer o dedo parar |
| A fala | As primeiras palavras que saem da sua boca | Abrir uma pergunta na cabeça de quem vê |
| Texto na tela | A legenda grande sobreposta | Sustentar a promessa para quem assiste sem som |
Para gerar os ganchos não parta da ideia, parta de uma matriz. Cada linha é uma combinação diferente — é isso que faz o teste ensinar alguma coisa:
- Segmento — não “o público”, e sim uma fatia com uma situação em comum. Quanto mais estreito, mais afiado o gancho.
- Motivação — a dor, o desejo ou a objeção daquela fatia, nas palavras dela. Copie literalmente de comentário, avaliação e conversa de venda: a frase original do cliente sempre ganha da sua paráfrase.
- Formato — escolha o veículo antes de escrever a frase: você falando para a câmera, gravação de tela, antes e depois, resposta de entrevista, confissão. A mesma motivação soa completamente diferente em cada um.
- Só então escreva os três componentes daquela célula.
- Gere ao longo da matriz, não para baixo: dez ganchos para dez combinações valem mais que trinta versões da mesma. Variedade de matriz é variedade de público.
Se travar na abertura, existe cardápio — e a regra é circular por ele, não repetir o favorito:
- Lacuna — esconde o substantivo: “ninguém te conta o que realmente causa isso”. Tem que entregar dentro do vídeo, senão vira isca e derruba a venda.
- Afirmação forte — específica e checável: “isso substituiu a minha agenda inteira”. Precisa da prova logo em seguida.
- Confissão — “eu fazia isso completamente errado”. Sem detalhe vivido, soa falso.
- Antes e depois — os dois estados aparecem já na primeira batida. A transformação tem que ser honesta.
- Situação — espelha um momento hiperespecífico do dia da pessoa. A especificidade é o mecanismo inteiro; genérico é invisível.
- Pergunta — exatamente a pergunta que ela digitaria na busca, com as palavras dela.
- Prova primeiro — abre com o recibo: o print, o número, a demonstração. O mais forte quando o resultado se gaba sozinho.
Subir a campanha
No gerenciador de anúncios da Meta. A estrutura tem três andares: campanha (o objetivo), conjunto (para quem e quanto) e anúncio (a peça).
- Campanha: objetivo Vendas. Não use alcance nem engajamento — eles entregam para quem curte, não para quem compra.
- Conjunto: otimizar para o evento Compra, o mesmo que você testou no passo 10.
- Público: comece amplo, com idade e país. O sistema encontra o comprador melhor do que você adivinha.
- Orçamento diário: algo próximo do preço do seu produto, para dar chance de pelo menos uma venda por dia.
- Anúncios: suba os três ângulos dentro do mesmo conjunto e deixe o sistema escolher.
- Link: cole a página de vendas já com a marcação do passo 10.
- Publique e não toque por três ou quatro dias. Mexer todo dia reinicia o aprendizado e queima verba.
Ler os números e decidir
Três decisões possíveis: matar, ajustar ou aumentar. Regras de bolso para começar — com o tempo você monta as suas.
- Um criativo que já gastou duas vezes o preço do produto sem vender: desligue.
- Se o custo por venda ficou abaixo do que sobra depois de taxas e entrega: aumente o orçamento em vinte por cento por vez, com dois ou três dias entre um aumento e outro.
- Muito clique e nenhuma venda: o problema é a página ou o preço, não o anúncio.
- Pouco clique: o problema é o criativo. Troque o ângulo, não a cor.
- Olhe a retenção do vídeo: onde há queda brusca, é o bloco do roteiro a reescrever.
- Mude uma coisa por vez, nesta ordem: criativo, depois manchete, depois oferta.
E quando um anúncio vai mal, não jogue fora o anúncio inteiro: cada número acusa uma peça diferente.
| O que está fraco | A peça culpada | O que trocar |
|---|---|---|
| Quase ninguém para de rolar | A ação na tela nos três primeiros segundos | Só a abertura visual — mantenha o resto |
| Param, mas saem logo | O que vem depois do gancho, dos 3 aos 15 segundos | Refaça esse trecho, não o gancho |
| Assistem e não clicam | A promessa no meio do anúncio | Deixe a oferta e a prova mais claras |
| Clicam e não compram | A página não continua o anúncio | Alinhe a manchete e a promessa da página ao criativo |
A armadilhaGancho que faz muita gente parar não é sinal de anúncio bom. Abertura sensacionalista atrai o público errado e aparece exatamente assim: muita parada, pouca venda. Leia o funil inteiro antes de declarar vencedor.
Antes de gastar o primeiro real
Oito confirmações. Falhando qualquer uma, o dinheiro vaza já no primeiro dia.
Sobre prazoA ordem importa mais que o calendário. O gargalo quase nunca é gravar o vídeo — é o passo 02, porque prova depende de cliente que já teve resultado e topa mostrar, e isso não se resolve numa tarde.
Glossário
Os termos que aparecem no caminho, em português claro.
- Carta de vendas
- A página, em texto ou vídeo, que faz a venda inteira sozinha, sem vendedor no meio.
- Gancho
- Os primeiros segundos, que decidem se a pessoa continua. Não é introdução — é a frase mais forte que você tem.
- Criativo
- A peça do anúncio: o vídeo ou imagem que aparece no Instagram. Função única: trazer a pessoa certa.
- Ângulo
- O argumento que o criativo usa. Mesma oferta, três ângulos: a dor, o resultado, o erro comum.
- Ticket
- O preço do que você vende. “Ticket médio” é a média do que cada cliente paga.
- Custo por venda
- Quanto de anúncio você gastou para conseguir uma venda. Comparado ao ticket, decide se escala.
- Pixel
- Um pedacinho de código na sua página que avisa a Meta o que aconteceu ali — visita, compra.
- Evento
- Cada ação avisada pelo pixel. O que importa aqui chama-se “Compra”.
- Marcação de link (UTM)
- Pedaços colados no fim do endereço para o relatório saber de qual anúncio veio cada venda.
- Ancoragem
- Mostrar o preço cheio antes do preço real, para dar referência. Sem ela, todo preço parece alto.
- Retenção
- Quantas pessoas ainda estão assistindo em cada segundo. A queda mostra o bloco do roteiro que precisa mudar.
- Perpétuo
- Funil que fica no ar o ano inteiro, sem data de abertura e fechamento.